#2

Eu vi a cidade hoje

E ela não agonizava o meu nome

Eu putrefato
Sem rodar as mãos nas linhas invisíveis
Que guiam os carros

Tudo vivia e eu no meio
Sem busca
Solto sem arreio
Eu pude ver os rostos reais dos prédios antigos
Sem caminho
Eu podia ir a qualquer lugar
Não ouvia o chamamento lúgubre do quarto de dormir

Eu podia ir a qualquer lugar
Quase como livre
Mas o dia não me espera
E as horas traziam num féretro minha escuridão esquecida
Ao lado das pílulas que tomo para começar a vida.

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#1

​(ao som de Première Gymnopédie, de Erick Satie) https://open.spotify.com/track/4jep6dMPP0z7HrN375InoL

no peito carrego Satie

entro no quarto

com meus homens nus

como entidades gregas

suando o resto do orgasmo

enquanto cantarolo a chuva rara

que bate de leve nas paredes
e meu frio vácuo sorri

o prazer alheio

chorando o deserto

da minha libido enterrada.
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