O homem sem cultura

Estou tendo contato com algumas ideias de Agamben, filósofo italiano.

Em um levantamento sobre o surgimento do “homem de gosto” (aquele que pode ser um crítico ou apenas um grande apreciador de arte), ele mostra que essa figura se fortalece na época do romantismo, quando a arte é elevada a um patamar bastante alto. A partir de então, o fazer artístico se tornou mais importante que a própria arte. Isso apartou o artista dos demais extratos da sociedade, um reconhecimento que os românticos se esforçaram para obter.

Isso também cindiu a própria arte em alta cultura e baixa cultura. O problema é que a apreciação desinteressada (arte pela arte) da arte é insustentável, e o homem de gosto acaba por se interessar também por exemplares da baixa cultura.

A maioria das pessoas acha impossível gostar de Chico Buarque e Pabllo Vittar ao mesmo tempo, por exemplo.

Lembro-me, também, de que Bauman via que a eleição de uma “alta cultura” servia bastante à classe dominante para marginalizar aqueles que não eram identificados como “homem de gosto” (de “bom” gosto, no caso).

Vejo como Agamben: essa distinção é insustentável. A arte desinteressada caminha ao lado do entretenimento, e como seres plurais, somos permitidos circular por todos os extratos da cultura.

É necessário ainda questionar o que distingue esses extratos, mas para isso ainda não tenho mais respostas, além da visão de Bauman.

 

O que você pensa sobre o assunto?

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